O celular é hoje o principal meio de acesso dos brasileiros à internet. É o que revela a pesquisa TIC Domicílios 2015, realizada pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br): 89% dos brasileiros conectados o fazem por meio de um smartphone, superando pela primeira vez os computadores como dispositivo prioritário para conexão – os PCs são usados por 65% dos usuários de internet do País. Em 2014, 80% dos brasileiros faziam uso do computador para este fim.

“Ter o celular como dispositivo que acelera a inclusão digital é excelente”, diz Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao NIC.br. No entanto, o especialista afirma que o acesso exclusivo pelo aparelho pode limitar o potencial de uso da internet. “O celular limita o que o usuário pode fazer, especialmente no desenvolvimento de habilidades para trabalho, como usar processadores de texto e planilhas ou no uso de aplicações de governo eletrônico.”

Em 2015, 35% dos usuários de internet acessaram a rede apenas pelo telefone celular; em 2014, essa proporção era de 19%. De acordo com Barbosa, usuários de classes menos favorecidas e com baixa escolaridade são os que mais utilizam a internet apenas pelo celular – são 44% na classe C e 65% no conjunto das classes D e E. “Quem tem mais escolaridade e renda tem múltiplas plataformas de acesso: apenas 8% dos usuários da classe A ficou restrito ao celular”, diz.

Segundo o estudo – que é baseado em entrevistas com pessoas que moram em mais de 23 mil domicílios em todo o País, entre novembro de 2015 e junho de 2016 – 58% dos brasileiros têm acesso ao internet, o que representa um crescimento de 7 pontos porcentuais na comparação com a pesquisa do ano passado. Foi considerado “conectado” o indivíduo que acessou a internet pelo menos uma vez nos últimos três meses antes da resposta do questionário.

Na medição por domicílios, no entanto, não houve avanços: 51% dos lares brasileiros têm acesso à rede, contra 50% do ano passado. Para Barbosa, a estabilidade no acesso dos domicílios pode indicar que “o País pode ter chegado ao limite de acessos sob os atuais preços da banda larga fixa”.

Ao todo, 32,8 milhões de domicílios estão desconectados no Brasil – destes, aproximadamente 30 milhões são de famílias das classes C, D e E, segundo aponta a pesquisa. A desigualdade econômica e a concentração urbana aparecem aqui como fatores de exclusão digital – na classe D e E, apenas 16% dos lares estão conectados à internet. Na área rural, esta proporção é de 22% – bem abaixo dos 56% das áreas urbanas.

Wi-Fi. Nesse contexto, um tipo de rede que cresce em importância para os brasileiros: as redes Wi-Fi. De acordo com a pesquisa, 79% dos domicílios tinham Wi-Fi em 2015 – na pesquisa de 2014, o índice era de 66%. “Isso não significa que os brasileiros estejam comprando roteadores. Nos grandes provedores, o próprio acesso à internet já vem um modem roteador e esse é um dos motivos porque o usuário pede banda larga fixa”, diz Barbosa.

Além disso, 56% dos usuários afirmam ter utilizado a internet na casa de outra pessoa (amigo, vizinho ou familiar), fazendo deste local de acesso o segundo mais popular, especialmente entre as pessoas que acessam a rede pelo celular. No que diz respeito ao tipo de conexão utilizada no celular, o acesso via Wi-Fi (87%) ultrapassou o acesso via redes 3G e 4G (72%).

Fonte: Estadão