A relação do brasileiro com o celular mudou. Para a cantora Eliete Maia, um ano atrás, o telefone era basicamente para fazer ligação. Ela chegou a ter quatro chips, um de cada operadora, para falar com os filhos, amigos, marcar compromisso de trabalho. Continua fazendo tudo isso, mas agora pelo aplicativo de mensagens de texto e de voz: “Às vezes nem posso atender no momento, mas eu mando uma mensagem pra pessoa: não posso atender no momento, mas daqui a pouco eu te retorno”.

O mercado de telefonia móvel está sentindo essa mudança de comportamento. O número de linhas de celulares ativas vem caindo desde o início do ano. De fevereiro para cá, o número de linhas pré-pagas caiu de 184 milhões para 176 milhões em agosto. O número total de linhas ativas, que inclui pré-pago e pós-pago, continua alto no país: são 252 milhões. Mas é quase 10% menor do que em agosto do ano passado.

A Federação Brasileira de Telecomunicações (Febratel) diz que além da mudança de comportamento, a crise econômica também foi decisiva na queda do número de linhas. “Tem a questão econômica, por causa da crise, e muitos estão com dificuldade. A redução é maior em pré-pagos e em estados mais pobres do país. Mas também é comportamental, porque as pessoas passam a usar mais dados do que voz. E com essa mudança não há necessidade de ter tantos chips para cada pessoa”, explica Eduardo Levy, presidente executivo da Febratel.

A opção de usar o telefone mais para mandar mensagens de texto foi o que também levou o vigilante Fabiano Reis a diminuir de quatro para dois o número de linhas pré-pagas. Primeiro, por uma questão de praticidade: “Um pouco de loucura, mas tem que administrar. Muitos amigos, muitas operadoras, então acaba que era bom pra conversar com a galera toda, então era necessário ter os quatro chips”.

Quando quer entrar na internet, Fabiano sempre procura um lugar que dá acesso à rede de graça e assim vem economizando dos dois jeitos: “Antes eu gastava uma média de R$ 40 por semana, colocando R$ 10 em cada chip. Hoje em dia eu gasto R$ 10 por semana”.

De acordo com os dados da Anatel, os celulares da modalidade pré-pago continuam liderando o mercado, apesar da queda nos últimos meses. Em agosto, eles representavam mais de 71%.

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Fonte: G1