Cada vez mais, as empresas têm procurado ampliar a sua atuação no mercado. Mesmo com a crise econômica, períodos de recessão e alta do dólar, os empreendedores estão arrumando a bagagem e embarcando com destino ao exterior. Segundo uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral (FDC), 71,9% das companhias aumentaram os investimentos no mercado externo para diminuir a dependência do mercado interno. Com a pandemia do novo coronavírus, o processo de internacionalização pode ser uma estratégia para recuperar o tempo, o dinheiro, acelerar o crescimento e compensar este período de crise.


Exportações de produtos, serviços, tecnologia, matéria prima e outros elementos, por parte das empresas brasileiras, estão garantindo uma maior projeção das marcas no cenário internacional e trazendo bons resultados financeiros. Além disso, a atuação no mercado estrangeiro tem rendido uma maior credibilidade das organizações brasileiras no seu país de origem. Esses fatores têm deixado as empresas mais satisfeitas com o desempenho obtido no mercado internacional do que no mercado nacional. Segundo o estudo da FDC, apenas 39% das companhias, que já fizeram a expansão internacional, aumentaram seu investimento no Brasil.


No entanto, pensar em expansão para o mercado internacional exige bastante planejamento. Para a mestre em Administração, Renata Sá, a organização deve fazer parte da realidade de quem busca atuar no mercado externo. “É necessário que o gestor tenha em mente a viabilidade do negócio e estude sobre o assunto. Cada mercado vai ter as suas particularidades e desafios bem específicos. Atuar em outros países não é uma tarefa fácil, mas, por outro lado, pode render as empresas um crescimento importante e uma maior solidez”, explica. “As barreiras mais comuns acabam passando pela falta de monitoramento do mercado externo, planejamento de longo prazo, as métricas de crescimento claro e a falta de conhecimentos sobre aspectos culturais e econômicos do mercado de destino. Então, antes de escolher a expansão, é preciso estar atento a esses detalhes”, completa.


Superando os desafios e embarcando rumo ao exterior


O empreendedor Diego Freire fundou uma startup de atendimento digital há cinco anos, junto com o especialista em tecnologia Willians Oliveira. Nesse pouco período de tempo, a Huggy conseguiu fazer o processo de internacionalização e passou a oferecer serviços para países como Estados Unidos, Chile, Argentina e México.
Segundo Freire, o caminho para conseguir levar os serviços da startup, nascida no interior da Bahia, até o mercado externo, passou por um projeto de validação da ideia para a tomada de decisão. “A gente quis primeiro validar o mercado de atendimento digital. Criamos a empresa em 2015 e esse foi um dos nossos objetivos. A Huggy hoje é uma plataforma líder no Brasil, na América Latina e com clientes em outros países. Agora, queremos distribuir o nosso produto e nos próximos cinco anos, temos a expectativa de estar com uma presença maior nos principais continentes do mundo”, explica.


Com o objetivo de melhorar as relações entre organizações e consumidores, através do atendimento digital, a startup também planeja uma adaptação de seus produtos para outros idiomas. “A nossa expectativa é de que nossa plataforma esteja pronta para atender qualquer cliente nos idiomas português, espanhol e inglês. Queremos atender de forma bem estruturada com suporte e boas ferramentas”, afirma.
De olho nos aspectos positivos da internacionalização, Itala Mascarenhas, Analista de Marketing na Absam, empresa especializada em tecnologia na nuvem, conta que a partir do próximo ano, a startup fundada na cidade de Feira de Santana (BA), pretende dar início ao processo de expansão internacional. “Nos últimos anos, a Absam se especializou em nuvem corporativa e hoje conta com infraestrutura própria no Brasil e nos Estados Unidos. Temos alguns clientes fora do Brasil, mas ainda não é nosso foco. Estamos nos preparando para internacionalização a partir de 2021”, conta.


Internacionalização 2.0


A pandemia do novo coronavírus está modificando de forma profunda o cenário mundial. Além disso, já é possível observar alterações no comportamento dos consumidores. Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que 83% das empresas precisarão de mais inovação no pós-pandemia.
De acordo com Renata Sá, será necessário adotar novas estratégias para que as empresas se mantenham competitivas e lucrativas no mercado. Entres elas, está o processo de internacionalização, que nesse contexto recebe a nomenclatura de internacionalização 2.0. “Uma outra vantagem que a gente observa da internacionalização, neste processo de pós-pandemia, é justamente a diminuição de riscos por atuar em mercados distintos. Dessa forma, as empresas brasileiras deverão ter uma série de competências adicionais para iniciar ou completar o processo de expansão para o mercado externo. Esses aspectos são relativos aos cenários criados pela Covid-19, que está causando uma antecipação de tendências”, explica.


Segundo a mestre em Administração, será um diferencial competitivo entender as limitações, mas também reconhecer as potencialidades dessa nova realidade. Essa forma atualizada das marcas se comunicarem com os seus clientes entrará como um desafio no pós-pandemia. Sendo assim, conhecer os consumidores e ter preços competitivos serão extremamente importantes.

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