O currículo tradicional foi esquecido! Empresas estão mudando a forma dos processos seletivos e apostam em inteligência artificial para encontrar o candidato certo para vaga

A corrida por um emprego tem sido grande para muitos brasileiros, são mais 11 milhões de desempregados no Brasil, segundo o IBGE. Para não ficar para trás, os profissionais precisam se manter atualizados e por dentro das novidades do mercado de trabalho. Uma delas é a forma que empresas têm desenvolvido o processo seletivo de seus funcionários, muitas instituições abandonaram a forma tradicional, como aquela etapa de avaliação de currículos, e passaram a utilizar inteligência artificial.

A Huggy, startup da área de atendimento digital, tem mais de 70 funcionários, a maioria passou por um processo rigoroso de seleção. A empresa desenvolveu um processo seletivo pelo Facebook Messenger. O candidato recebe um link pelo e-mail, rede sociais ou até pelo WhatsApp. A segunda etapa, o candidato é conduzido por um chatbot, conversa automatizada.

“É avaliado persistência, habilidades para resolver problemas, desenvoltura na interação com as ferramentas digitais, capacidade comunicativa, dentre outros elementos que conectam o candidato a cultura da nossa startup”, contou Willians Oliveira, CCO e CO-founder da Huggy.

Bárbara Flavianne, 25 anos, formada em administração, pós-graduanda em marketing estratégico e digital, encarou o desafio. Ela contou que nunca tinha feito um processo seletivo que envolvesse inteligência artificial. “Foi uma experiência única e bem desafiadora. Foram duas semanas realizando todo o processo, que inclui teste de autoconhecimento, redação, um tour pela plataforma de atendimento, que é o principal produto da startup, e, até a elaboração de um vídeo explicando problemas reais que são possíveis resolver com essa ferramenta”, explicou Flavianne.

O processo foi desenvolvido em julho de 2018, pelo CCO e CO-founder da Huggy, Willians Oliveira, que é formado em sistema de informação. O sistema é um verdadeiro funil, de 1934 candidatos, por exemplo, 35 foram contratados. “Com a inteligência artificial, a gente poupa tempo nos processos seletivos e os resultados são mais assertivos”, comentou Oliveira. Mesmo com essa metodologia de seleção, a empresa não dispensa aquela entrevista cara a cara.

O uso da tecnologia nos métodos de seleção é uma tendência. As empresas não querem saber a universidade onde o candidato estudou. O objetivo, agora, é conhecer mais profundamente a pessoa que vai fazer parte do crescimento da instituição e ter certeza que o candidato entendeu a cultura e os valores da empresa.

Kaíque Santos, 26 anos, cursa fisioterapia, mas trabalha na área de atendimento ao cliente. O jovem passou pelo processo seletivo da startup. Ele concluiu todas as etapas em 2 dias. “Foi bem difícil, por que a seleção já obriga o candidato a conhecer o principal produto da Huggy, que é a plataforma de atendimento digital. Pra mim foi um desafio muito grande entender todo o sistema e a real finalidade desse produto. A ferramenta pode ser utilizada por empresas de vários nichos, como hospitais, lojas, prestadores de serviço”, explicou ele. Hoje, Caíque pensa em ampliar o conhecimento na área de tecnologia e atendimento ao cliente para crescer na startup.

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